O Canto das Águas e o Tempo (Canto 4)
Corre ligeiro o riacho na serra,
Beijando pedras com suave encanto,
Não guarda mágoa da dureza da terra,
Faz do desvio seu mais belo canto.
Se encontra rocha que o caminho cerra,
Não perde tempo em vão debater;
Curva-se mansa, a correnteza erra,
Abre uma trilha para renascer.
Quantas batalhas travas sem motivo,
Tentando o rio a teu modo dobrar?
Deixa fluir o que em ti pulsa vivo,
O tempo sabe a rota de chegar.
O mar acolhe toda gota pura
Que teve a fé de caminhar no chão;
A vida é leve se não há censura,
E tudo encontra o rumo do perdão.
“Não gaste forças tentando controlar o curso do rio; aprenda a arte suave de fluir até o seu próprio mar.”
Cristiano Ricardo — Escritor
Caderno de Poesia & Reflexões Humanas · Publicado em 12/01/2019 às 02:55.
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