O Perfume das Flores Silvestres (Canto 8)
Ninguém regou a flor que na colina
Abriu pétalas ao clarão do sol;
Não teve cerca nem estufa fina,
Nem jardineiro que lhe desse escol.
E no entanto exala um perfume doce
Que o vento espalha a quem ali passar,
Feito se a própria graça eterna fosse
De graça dada para consolar.
Há tanta beleza no que é miúdo,
No riso franco, no abraço sem cobrança;
O coração que compreende tudo
Faz da modéstia a sua segurança.
Floresce onde o destino te plantou,
Sem esperar platéia ou louvor;
Quem com pureza na vida amou
Deixa na terra um rastro de esplendor.
“A beleza mais tocante é aquela que nasce humilde: floresça onde estiver com toda a sua generosidade.”
Cristiano Ricardo — Escritor
Caderno de Poesia & Reflexões Humanas · Publicado em 28/08/2020 às 02:55.
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